| Artista: The Paul Revere Jumpsuit Apparatus Música: Nearly Witches (demo) Álbum: Welcome to the New Administration (mixtape number 60---) |
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Nearly Witches (demo) -The Paul Revere Jumpsuit Apparatus
Soaria até engraçado aos ouvidos de outros, mas Riley estava completamente nervoso enquanto esperava pela resposta de S sobre o convite de ir ao show. Mesmo aos 32 anos ainda sentia aquele friozinho na barriga quando se tratava de um romance, por mais virtual que fosse. Por um momento, até tinha perdido as esperanças de que o encontro acontecesse, mas felizmente, as suas suspeitas eram reais, e o desejo do encontro era recíproco.
Deixou que mais uma vez o sorriso tomasse conta de seu rosto, fazendo-o até mesmo esquecer que momentos atrás pensou que não aguentaria permanecer acordado por muito tempo, mas estava amargamente errado. “Sorte a minha, eu realmente acreditei que você queria me ver.” Ele enviou, imaginando o problema que teria caso ela tivesse realmente dito aquilo da boca pra fora. O desejo de vê-la naquele momento se tornava tão grande que poderia deixar tudo ali do jeito que estava para encontrá-la em qualquer esquina daquela madrugada.
Depois do convite, uma chuva de boas mensagens estavam sendo enviadas pela garota, confissões que demonstravam que até momentos atrás, ela tinha um pé atrás sobre a relação dos dois, mas felizmente, tinha se rendido a sensação de que as coisas poderiam dar certo e pôs a mão no fogo por uma conversa sincera. “Se tem algo que eu nunca cogitei foi a ideia de um dia, não desejar tanto te ver.“
Em ambos os lados, podia se sentir uma extrema excitação. Riley já não via a hora da chegada do show, ou melhor, não via a hora de poder conhecer Sarah pessoalmente. Enquanto esperava por aquele momento, se pegou imaginando como ela devia ser fisicamente, o cheiro que devia ter… Era algo que ia contra a sua vontade, já que desejar demais algo que nunca pode ver era pedir para ser surpreendido, sem saber se aquela seria uma boa ou má surpresa.
Não queria confessar logo de cara que não estava dando a mínima para aquele show, queria vê-la para só então ter completa certeza de que nenhum dos dois queria estar ali. “Bem, eu posso lhe buscar em algum lugar, quem sabe não comemos algo antes? Basta me dizer onde posso te encontrar.” Aquela seria um bom momento para tirar o carro da garagem.
Mais do que nunca, Sarah Jane começou a pensar em como seria a aparência física de Riley, como seria o tom de voz dele e naquele momento a imaginação dela era bem generosa. Acabou rindo sozinha e se pegando em outro problema: o que vestir? Ia vestida de fã da banda (coisa que não era, mas se passaria facilmente), iria como uma patricinha do Upper East Side (coisa que era, mas disfarçava bem não ser). De repente, começou a fazer uma avaliação mental de todas as suas roupas e nenhuma pareceu apropriada para vê-lo. Não sabia se era o sono, mas era como se o guarda-roupa inteiro dela fosse lixo naquele momento. Encontros pela internet exigem isso. Uma pré-definição do que estará vestindo para que o outro lhe reconheça, então, não sabia o que dizer com exatidão.
A cada mensagem que Hicks enviava, o coraçãozinho de Sarah Jane parecia traiçoeiro demais e teimava em acelerar. Achou verdadeiramente que se continuasse como estava iria ter um ataque do coração e a pior parte: estava sem chocolate naquela mesa.
“Acho bom o senhor não estar mentindo pra mim.” Enviou e, claro, estava brincando. Ela seria incapaz, de num momento como aquele, ficar brava com Riley. Estava num momento amorzinho demais para isso.
Só que de repente um senhor que trabalhava na ANE como zelador deu uma cutucada no ombro de SJ, fazendo ela quase ter o ataque do coração novamente. Ela deu um pulo enorme da cadeira e derramou o resto do café frio no chão e aí que o homem começou mesmo a falar e falar e falar. SJ não sabia se dava razão ao homem ou se encerrava a conversa com Riley porque não queria que ninguém lesse aquilo além dela.
“Acho que podemos ir… Tomar sorvete. A não ser que você seja intolerante a lactose.” As mensagens foram partidas porque o senhor baixinho estava realmente furioso com a loira. Por causa do café no chão, por causa da mesa que estava um lixo, por causa dos cacarecos dela em cima da mesa e porque ela estava até aquele momento na ANE;Ela só ouviu de fato a parte que o homem disse que aqueles dois hackers não tinham mesmo jeito.
Aqueles dois hackers. Definitivamente, SJ ignorou a própria intuição.
“Eu tenho que sair agora, bonitinho. O senhorzinho da limpeza chegou e ele está cuspindo fogo pelas ventas. A gente entra em contato pra combinar o resto melhor. Beijo <3”
E pela primeira vez em todo o tempo que eles se falaram, ela encerrou a conversa com um “<3” e desligou o computador rápido demais para imaginar/saber qual a reação dele diante daquele novo fato.
A contagem regressiva pro show estava começando e ela precisava de roupas novas.
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Happy Ending | Mika
(Source: jpneselunchtimerush)
As últimas gotas de café que haviam no copo já não eram o suficiente, mas Riley sentia-se incapacitado para se levantar e encher novamente o copo, decidindo então aproveitar o resto de tempo que lhe sobrara enquanto não pegava no sono conversando o quanto pudesse com S, na esperança de que do outro lado da rede, ela também não estivesse passando pelo mesmo problema que ele, assim, poderiam aproveitar até o último segundo.
O dia tinha sido bastante cansativo, e a razão para todo o acumulo de cansaço era a missão com aquela banda Depth of Exotic. Os integrantes pareciam ter um passado mais escuro do que as roupas que usavam, o que era compreensível, já que viviam viajando, fazendo shows… Todo mundo naquele ramo devia ter uma ficha como aquela, mas não era tão fácil assim achar exatamente aquilo pelo que procurava, fazendo-o ter de gastar ainda mais tempo do que pretendia.
Apesar de todo o cansaço, Riley não tinha arrependimento algum em estar de frente para o seu computador às 3 horas da manhã, ele tinha Sarah e suas doces palavras para acompanhá-lo até o último momento. “Basta um endereço.” Ele digitou sem rodeios. O que era verdade, um local e uma hora eram as únicas coisas que ele esperava obter de S para que finalmente pudessem realizar um encontro, que agora parecia não ser esperado apenas por ele, mas também por ela.
Não que ele estivesse habituado com situações como aquela, mas não via a hora de vê-la, e já não sentia mais vergonha alguma de expressar isso, ainda mais com tal afirmação da parte dela. “Eu espero que você não tenha dito isso da boca pra fora.” Ele adicionou à resposta anterior segundos antes de finalmente enviá-la.
“É óbvio que você é incrível, não me entenda mal.” Ele a respondeu rapidamente, antes que tivesse uma má impressão sobre ele, não tinha sido nem de longe aquela a sua intenção. Levou algum tempo para perceber que nem sequer tinha dito aquilo, era somente uma das brincadeiras de Sarah, onde ela se punha como vítima. Vendo a sua própria reação sobre o que disse, ele mais uma vez riu sozinho naquela sala que devia estar na casa dos 10º de temperatura.
O riso finalmente tinha cessado quando ele recebeu mais uma mensagem que estava escrita da seguinte maneira: “<Clique aqui para receber uma partícula da auto-estima de Sarah Jane>” Aquilo foi a gota d’água para ele começar a rir novamente como se estivesse sofrendo um ataque de cócegas, sendo mais um dos momentos em que ele desejava estar ao lado dela, sorrindo, sentindo-a bem ao seu lado.
Riley amava trabalhar na A.N.E., isso era inegável, mas momentos como aquele faziam com que ele odiasse algumas normas de seu trabalho. Era horrível querer passar um tempo ao lado de alguém por quem tanto tinha apreço e não poder. “Já que não podemos nos ver em nossos trabalhos, o que acha se assistir a um show comigo? Talvez você não curta muito a música, mas essa é só uma desculpa para eu vê-la pessoalmente. Local público, todos estarão nos vendo, não poderei sequestrá-la.” Ele digitou com um pequeno sorrido nos lábios. “Depth of Exotic, tenho ingressos para a área Vip.” Nada melhor do que unir o útil ao agradável, um dia ou outro teria de avaliar os artistas de perto, seria melhor se tivesse uma companhia para esquecer em alguns momentos que aquilo fazia parte do seu trabalho.
Sarah Jane não queria olhar. Não mesmo, nem por um segundo. Sabia que ela provavelmente teria se passado por uma idiota e/ou infantil por acreditar que relacionamentos virtuais podem ir pra frente, podem se tornar mais reais, só que ela não queria porque achava que ele estaria rindo dela, não das suas piadas, mas de seu modo fantasioso de ver a amizade virtual deles.
Devagar a loira abriu os olhos. Um por um e só então leu. Não acreditou no que estava lendo e achou que era coisa do sono, que já estava começando a afetar a sua percepção da realidade. Ao mesmo tempo, era tomada por uma sensação de genuíno alívio. Não era ruim acreditar que (ou ter o mínimo de esperança) que ele gostava dela tanto quanto ela dele.
Ela se enrolou um pouco pelo simples fato de não saber o que digitar. Estava mais parecendo uma garotinha do que uma mulher formada e bem sucedida que realmente era. Não dava pra acreditar no que estava acontecendo então finalmente conseguiu digitar: “Bem, eu não estava brincando quando disse que gostaria que viesse comer chocolate comigo.” e apertou enter. Quer dizer, Sarah Jane era muito desinibida, mas quando se tratava de assuntos como o coração, ela se perdia e virava uma verdadeira adolescente em sua primeira paixãozinha.
“A parte do incrível era somente minha tentativa de desviar o assunto e não parecer tão boba, caso você nunca tivesse cogitado a ideia de me ver.” Enviou sua confissão, rindo baixo consigo mesmo.
A loira tinha ouvido as músicas do Death of Exotic e poderia conversar com um fanático de igual pra igual de tantas entrevistas, vídeos que tinha visto, só que o estilo da música realmente não agradava. Achou que era algum tipo de perseguição por logo alguém que ela gostava tanto querer ir nesse show. Também tinha um ingresso porque iria de gaiato observar de perto a tal banda da missão, mas decidiu que pela manhã colocaria um anúncio no e-bay pra vender seu ingresso e iria com Riley. Ou daria o seu ingresso pro Tommy, talvez a banda fizesse o estilo dele e ele pudesse convidar alguma garota para ir com ele.
“Claro, aceito ir sim.” Respondeu quase que imediatamente. “A gente se encontra na porta do estádio ou…?”






